De fevereiro a novembro de 2026, estamos desenvolvendo a Estratégia para o fomento dos principais APLs da sociobiodiversidade na Amazônia Legal.
Este projeto é executado pela Sudam em parceria com o PNUD, e tem como objetivo a elaboração da estratégia para o fomento dos Arranjos Produtivos Locais (APLs) da sociobiodiversidade na Amazônia Legal.

O projeto é implementado por um consórcio de três empresas nacionais especializadas em APLs, desenvolvimento regional, e Amazônia Legal.

O projeto está dividido em cinco fases:
- Diagnóstico inicial que serve de base para a elaboração da estratégia.
- Desenho da estratégia de fomento dos APLs.
- Construção da estratégia de implementação.
- Plano de monitoramento e avaliação.
- Apresentação final da estratégia.
Apresentamos a seguir um gráfico da metodologia de forma resumida:

Este trabalho será executado em 39 semanas. A seguir se apresenta o cronograma de trabalho detalhado semana a semana. Atualmente estamos na fase 3 do projeto.
A Sudam identificou a necessidade e potencialidade de impulsar uma nova estratégia com o apoio do PNUD e dos parceiros regionais.
O Arranjo Produtivo Local (APL) é uma concentração num território de agentes econômicos (empresas, cooperativas, associações, produtores), políticos e sociais, incluindo instituições de apoio e ICTs, que estão num mesmo negócio (atividade produtiva no sentido amplo), que apresentam vínculos significativos de interação, cooperação e governança local, e que têm desafios comuns de competitividade e sustentabilidade, o que incentiva que colaborem para superar esses desafios de forma mais eficaz e eficiente.
Sociobiodiversidade é o conjunto de recursos, produtos, conhecimentos e práticas produtivas associados à biodiversidade dos biomas brasileiros e aos modos de vida de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, cuja utilização sustentável estrutura cadeias produtivas, promove inclusão produtiva, contribui para a conservação ambiental e constitui base estratégica para o desenvolvimento territorial e regional.
O desenvolvimento de iniciativas de fortalecimento de APLs é uma política pública amplamente aplicada na Europa e em outros países. No Brasil, actualmente, o melhor exponente de estratégia de fomento de APLs são as Rotas da Integração Nacional do Ministerio da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que apoia cerca de 79 APLs organizados em 12 rotas produtivas, sendo 11 deles situados em territórios da Amazônia Legal.
Na primeira fase do projeto foram identificados os APLs de cada estado, e uma vez identificados foram organizados por ordem de relevância segundo a documentação revisada, análise quantitativa, e entrevistas realizadas.
Os APLs considerados cumprem os seguintes critérios mínimos:
- Estar dentro do território da Amazônia Legal
- Ser uma atividade que preserva e fortalece a sociobiodiversidade
- Ter um impacto ambiental positivo
Na semana 14 de projeto, a equipe de consultoria tinha identificado os principais gargalos para o desenvolvimento dos APLs e também os APLs mais relevantes. Nesse momento, se iniciou o processo de uma consulta pública para receber comentários sobre a análise dos gargalos e dos APLs. A consulta pública esteve aberta de 28/07/2026 até 10/08/2026, posterior ao fechamento, os comentários foram analisados e incorporados no diagnóstico da estratégia.
No dia 11 de junho de 2026 foi feito o lançamento do projeto para explicar seus objetivos e atividades. Aconteceu na sede da Sudam, em Belém do Pará, e houve retransmisão online. Podem ver os detalhes do evento de lançamento, a gravação e a apresentação aqui.
Na seguinte figura se apresentam os principais gargalos que enfrentam os APLs da socibiodiversidade na Amazônia Legal.

Depois de organizados os APLs por estado, foram caraterizados os 5 APLs mais relevantes de cada estado. A partir da caracterização houve uma pontuação de diferentes aspectos que ajudou a fazer uma organização final dos 5 APLs por estado.
A pontuação dos 5 APLs mais relevantes por estado se realiza em função de aspectos econômicos, ambientais e sociais:
- Importância econômica avaliada por: produção e faturamento junto com número de empresas, trabalhadores e produtores; segurança alimentar (auto consumo e consumo local); nível de relevância que representa no estado, na Amazônia e no Brasil; potencial para crescimento econômico (melhoria de produtividade, disponibilidade de terras, aumento da participação dos atores no negócio do APL).
- Grau de competitividade avaliado por: mercados no Brasil (estratégias de mercado, rede de parcerias, nível sofisticação do comprador); exportação em porcentagem sobre total toneladas ou valor e Potencial exportador (Crescimento a 10 anos e expectativas); preço de venda e margem em percentagem; nível de infraestrutura e recursos humanos; grau de tecnologia e de inovação (inclui marcas coletivas, IGs, patentes)
- Potencial de agregação de valor (especialização e diversificação) avaliado por: oportunidades de agregação de valor por diferenciação do produto (super alimento, IG, etc.); oportunidades de agregação de valor por industrialização do produto (produto final ou ingredientes); oportunidades de geração de novos produtos (ex. economia circular).
- Relevância ambiental do APL no território avaliada por: preservação da floresta em pé e biodiversidade; economia de baixo carbono, SAF e recuperação de áreas degradadas, descarbonização medido em toneladas de CO2; potencial para aumentar o impacto ambiental positivo.
- Relevância do capital social do APL (governança e prontidão) avaliada por: grau de organização e cooperação, organizados como APL, polo ou cadeia (mecanismo de implantação); programas públicos de apoio ou projetos existentes (inclui fontes de financiamento); existência de sentimento de pertencimento e empoderamento no território (cooperativas, associações, conselhos).
Se apresentam na siguinte figura os dois APLs mais relevantes de cada estado, e sua interação com a Estratégia das Rotas da Integração Nacional e com o Prospera Sociobio.

Na segunda fase do projeto, foram definidos os elementos principais da estratégia de fomento dos APLs da sociobiodiversidade na Amazônia Legal que são descritos a seguir. Para a construção da estratégia foram utilizadas as informações do diagnóstico, realizadas reuniões institucionais, e oficinas estratégicas com o APL identificado como mais relevante de cada estado.
A estratégia de fomento de APLs da sociobiodiversidade na Amazônia Legal é uma estratégia de desenvolvimento regional sustentável e de inclusão produtiva, em consonância com a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), no âmbito da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), autarquia do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
A estratégia de fomento de APLs está alinhada às ações estratégicas do Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA) da Sudam. O PRDA é um instrumento norteador e catalisador de políticas públicas que espelha as demandas dos governos e sociedade que constituem a Amazônia Legal, ao tempo em que orienta as ações estratégicas do governo federal na região.
O PRDA tem um foco no uso sustentável da biodiversidade como fonte de desenvolvimento da região, com geração de emprego e renda, fortalecendo as cadeias produtivas voltadas à bioeconomia da sociobiodiversidade, sendo esta uma fonte riquíssima de oportunidades para o desenvolvimento da região.
A diretriz principal da estratégia de fomento dos APLs da sociobiodiversidade é promover a melhora de renda, a inovação, e o desenvolvimento regional sustentável por meio da dinamização de APLs que promovam a interação organizada de atores públicos e privados e a competitividade sustentável nos territórios.
Tem 11 objetivos estratégicos:
- OE1. Promover e valorizar a sociobiodiversidade como elemento indutor do desenvolvimento regional sustentável.
- OE2. Integrar a matriz produtiva regional da sociobiodiversidade.
- OE3. Diversificar a matriz produtiva regional da sociobiodiversidade.
- OE4. Agregar valor à produção regional, por meio da diferenciação do produto, industrialização do produto, valorização de subprodutos ou de outras atividades dentro da cadeia de valor.
- OE5. Contribuir para a conservação ambiental.
- OE6. Fomentar o associativismo e cooperativismo como instrumento de organização produtiva e base para participação e liderança representativa do setor produtivo.
- OE7. Fomentar a geração de empresas de produtos e serviços inovadores da sociobiodiversidade, inclusive com a atração de empresas âncoras que podem facilitar a estruturação da cadeia e a integração vertical.
- OE8. Promover uma governança participativa do APL com instâncias deliberativas e executivas.
- OE9. Promover um melhor conhecimento e acesso a mercados.
- OE10. Incentivar atividades relacionadas à inovação, ao desenvolvimento tecnológico e à pesquisa.
- OE11. Facilitar o acesso a financiamento adequado às características dos produtores e empresas.
Atualmente, estamos na fase 3 elaborando a construção da estratégia de implementação, que inclui o plano de intervenções, financiamento, riscos, modelo de gestão e governança, matriz de contribuição e estratégia de captação de recursos e gestão de riscos. O trabalho é realizado a partir de reuniões institucionais e oficinas.
Em breve mais informações sobre o projeto serão disponibilizadas.
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